Minha história com Portugal começou de verdade em 2017, quando fiquei determinada em sair do Brasil para começar uma nova vida. Naquele ano, eu trabalhava apenas como freelancer, então começar a fazer um planejamento financeiro era bem difícil, aliado ao fato de eu nunca ter vindo pra Europa antes, ou seja, poderia dar muito errado. Contudo, meu primeiro passo foi a partir daquele ano, voltar para a casa da minha mãe e ter duas contas bancárias separadas: uma para viver e a outra para colocar metade ou um valor x toda vez que caísse algum pagamento. Estabeleci também uma data para vir e quanto eu gostaria de conseguir até lá, baseada no câmbio da época. Então pensei bem aleatória: “quero ir em 2020, com pelo menos 2 mil euros”. Quase um chute! Sem muito estudo hahaha!

Ao longo do tempo, obviamente, fui estudando, pesquisando e entendendo os custos de cada coisa e o que poderia me ajudar ou não a me legalizar o quanto antes. Não tenho parentes europeus, então a cidadania não era uma saída. No princípio pensei em vir para buscar emprego e com o contrato de trabalho, conseguir dar entrada na manifestação de interesse. Porém, uma amiga-irmã me alertou: “Aby, você não acha melhor fazer algum curso, estudar e chegar nessa condição de estudante? Pode te ajudar muito!”. Na época, eu relutei porque queria vir logo e isso me custaria ainda mais euros, mas por mais que você seja uma super planejadora, a vida vem e pode mudar tudo.

Em 2020 tivemos a Covid-19, e com isso, todo meu plano foi adiado. Fiquei arrasada. Por outro lado, ganhei mais tempo e, assim, amadureci a ideia de fazer uma pós-graduação, já que só tinha mesmo a formação em Jornalismo. Pesquisei e encontrei um curso que me identifiquei, fui juntando mais dinheiro, pois no período da pandemia e depois dele, engatei vários trabalhos e fiz todo o processo de inscrição e matrícula para o curso que começaria em outubro de 2021. O contexto estava bem ruim na época. Eu morava com a minha mãe em um lugar muito perigoso, dominado pelo tráfico e toda semana havia muitos tiros e ameaças a todo instante. Eu vivia ansiosa, triste, preocupada. Era difícil sonhar naquela situação, mas foi o que me salvou.

Solicitei meu visto como estudante e aguardei. Um processo super complexo e caro, fiquei muito nervosa e ansiosa na época. As informações eram confusas e o atendimento no Consulado em Fortaleza era demorado, distante e apenas presencial. Enquanto a  pandemia ia regredindo, reagendei as passagens para chegar 1 semana antes do início das aulas. Eu imaginava que até lá meu visto seria aprovado e tudo certo, mas não. O visto não chegou a tempo da viagem. Resolvi vir como turista para aguardar a resposta aqui, afinal, eu ia estudar e tinha esse vínculo para comprovar.

Antes de embarcar, tirei minha mãe daquela casa, alugamos outra perto da minha irmã mais velha e com muitas lágrimas nos olhos, eu parti.

Passei super nervosa pela imigração, levei todos os documentos certinhos e cheguei na cidade do Porto. Sempre tive certeza daqui, saí na estação de metrô mais famosa, a São Bento, cheia de mala, super cansada, mas emocionada. Foi uma das sensações mais incríveis que tive na vida. Eu não conhecia nada, ninguém, só tinha o google maps como guia, mas eu tinha me preparado bem. Vim com algumas visitas agendadas, ainda no Brasil, para conhecer alguns quartos e fiquei hospedada temporariamente em um hostel misto, bem no centro. Cheguei no outono, não estava tão frio, mas o suficiente para uma cearense sofrer um pouco hahaha! O primeiro quarto que visitei eu gostei e deu certo, fui dividir um apartamento com uma roomate francesa. Bom, de lá pra cá, para resumir:

E nada, nada faz eu me arrepender dessa decisão que eu tomei. Tudo valeu a pena! Eu sempre quis ter uma boa história de vida pra contar quando fosse velhinha e acho que já comecei 🙏.

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